Luz do Oriente Olavo de Carvalho O Globo, 5 de janeiro de 2001 O impulso essencial da modernidade, segundo o consenso dos estudiosos, é o imanentismo, a rejeição de um sentido transcendente da existência e a total circunscrição das esperanças humanas a este baixo mundo. Se a opção imanentista tem conseqüências lógicas bastante evidentes, a pertinaz ocultação delas, por outro lado, tem constituído uma das principais atividades culturais nos últimos dois séculos, dando origem a uma série interminável de desvarios e sofrimentos. Desde logo, um “sentido” não pode ser imanente de maneira alguma, já que ele é, por definição, aquilo a que uma coisa remete para além dela mesma: o sentido da vida, se existe, está para além da vida. Mutatis mutandis, o sentido da História só pode estar na meta-História. Não há como escapar disso. Abolir toda transcendência seria reduzir o significado à materialidade do signo: a completa redundância do completo nonsense. Poucos pensadores — um Emil Cioran, u...
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